Avançar para o conteúdo principal

Ovos Moles de Aveiro



Remonta ao século XVI e ao Convento de Jesus atualmente Museu Nacional Santa Joana - Aveiro, nessa altura usava-se a recita conventual dos ovos moles como remédio na convalescença de doentes. No século XIX dá-se a “laicização” da doçaria e abre em 1856, a primeira confeitaria em Aveiro a comercializar os Ovos Moles de Aveiro e a visibilidade e aprovação geral do produto foi tanta que chegou as referências literárias, como exemplo em Eça de Queiroz na “A Capital” e “Os Maias”.
Mas a receita conventual continuou viva graças as jovens que passaram por essas instituições religiosas. A imediação com a ria fez surgir no doce formas de amêijoas, búzios e motivos marítimos. A receita é simples e mantém-se ao longo de várias gerações. Confecionada somente com gema de ovo, açúcar e água. 



Tendo como objetivo a proteção e preservação deste produto como produto de qualidade os produtores associaram-se e construíram a Associação de Produtos de Ovos Moles de Aveiro (APOMA) uma das suas missões é a ligação com a história e o “saber fazer” das doçaria ao longo do tempo. Foi perante a importância social e histórica dos Ovos Mole de Aveiro que surgiu a necessidade de criar a associação de produtores e proceder à certificação deste produto tradicional, demorou cerca de 11 anos a concluir e deu-se entre 1998 e 2000. Registe-se o facto de esta ser a primeira doçaria conventual a ser reconhecida e certificada no espaço comunitário europeu.

Ovos-Moles são o primeiro produto de pastelaria a obter denominação de IGP

Foi legalmente constituída em 4 de Outubro de 2000 e tem como principais objetivos a proteção da marca “Ovos Moles de Aveiro”, o garante da genuinidade da receita e modo de fabrico do tradicional doce conventual, e a criação de uma dinâmica coletiva entre os seus associados de forma a ser possível atingir novos e mais exigentes mercados.” Nesta data são cerca de 26 os estabelecimentos certificados e autorizados a produzirem ou venderem a marca “Ovos Moles de Aveiro”, total anual de 75 toneladas de produto vendido que se traduz numa receita anual de aproximadamente de 1,3 milhões de euros. Posto isto é uma preocupação constante a verificação e controle sistemáticos do cumprimento das características, qualidade, veracidade e especificações técnicas. Segundo informação recolhida no Ciclo de Conferências "Aveiro à Conversa" - certificação dos Ovos Moles de Aveiro (24.03.2011).
Já existe um caderno de especificações dos Ovos Moles que deve obedecer a um determinado número de condições de acordo com o regulamento (CEE) Nº 2081/92. Tais como a descrição do produto, as matérias primas, indicações de características químicas, físicas, microbiológicas e organolépticas, assim como a delimitação e a ligação do produto à área geográfica (O Ministério da Agricultura concedeu a este doce regional o estatuto de indicação geográfica protegida sendo o primeiro produto de confeitaria portuguesa a receber este título.), descrição do modo de produção, entre outros elementos que são referido no caderno de especificações que é o documento estruturante e regulador da produção e comercialização do produto que devera obedecer sempre à receita e forma de fabrico original.   



Este produto é originário dos concelhos limítrofes e zonas lagunares próximos à Ria da Aveiro tais como: Ovar, Murtosa, Estarreja, Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga, Aveiro, Ílhavo, Águeda, Vagos e Mira. Nesta zona é notória a produção abundante de “milho, galinhas e ovos” ingredientes que deram e são a base desta especialidade.
Após estudos (Naia 2001) pode-se estabelecer parâmetros que caracterizam os Ovos Moles de Aveiro a nível exterior: Invólucro, cor, forma. No seu interior: forma cor, brilho, cheiro, entre outros. 




Envolvidos numa hóstia ou em barricas pintadas no exterior com barcos moliceiros característicos da Ria de Aveiro, são uma doce e deliciosa tentação em qualquer altura do dia ou da noite e têm menos calorias do que um pastel de nata e muito menos do que um croissant! 


De referir ainda a confraria dos Ovos Moles: “A Confraria dos Ovos Moles de Aveiro tem por missão a promoção, divulgação e defesa cultural e gastronómica do doce conventual “Ovos Moles de Aveiro”, enquanto produto tradicional, de origem e proveniência certificadas.
A Confraria dos Ovos Moles de Aveiro, alicerçada na tradição, procura contribuir para que a doce história dos Ovos Moles se perpetue, no futuro, em Aveiro, em Portugal e além fronteiras.”




APOMA, 2003, Caderno de Especificações dos Ovos Moles de Aveiro,
NAIA P., PARREIRA C., BARROS A., ALVELOS H., ROCHA S., MENDO S., COIMBRA
M.A., ; 2001 “ Análise dos Ovos Moles de Aveiro – Ensaios químicos a massas de novos produtores, segurança alimentar, valor nutritivo, estimativa do conteúdo em colesterol, provas organolépticas”, realizado para a APOMA, Universidade de Aveiro.

Oficina do Doce
Rua João Mendonça, n.º 23
Letra JKL (Galeria Rossio)
3800-200 Aveiro
Tel. 234 098 840
Fax. 234 913 241
geral@oficinadodoce.com
http://www.oficinadodoce.com
Horário de visitas
Época Alta: Junho, Julho, Agosto, Setembro, das 10h00 às 19h00.
Restante Época: das 10h00 às 17h00.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Bordados de Viana do Castelo

Gemeniana Branco, 29 de Março de 1917

Foi numa exposição realizada a 24 de Agosto de 1917 no artístico Pavilhão, no Campo d´Agonia em Viana do Castelo, que Gemeniana Branco deu a conhecer os seus trabalhos e que desde então dá início a uma profissionalização desta prática. Germeniana era uma jovem mulher com recursos, ligações e capacidade de iniciativa. Características que a levaram a transformar uma tarefa de uso essencialmente doméstico a uma atividade económica. Esta mulher fá-lo não só por si que dados os seus recursos não necessitava mas por princípios e valores que partilhava com mulheres como Berta Machado ou Ana de Castro Osório, que quando Portugal entrou na I Grande Guerra foram as fundadoras da Cruzada das Mulheres Portuguesas que tinha como objetivo diminuir a miséria das famílias portuguesas da altura. Foi neste contexto que Gemeniana se lança ao trabalho ajudando mulheres carenciadas no sustento das suas famílias em Viana e nos arredores. A área de produção do Borda…

Filigrana Portuguesa

Coração de Viana

A filigrana é um trabalho minucioso e ornamental que é realizado com perícia e delicadeza. É uma técnica de ourivesaria, e insere-se no tipo de ourivesaria popular, apesar de não ser específica da nossa tradição cultural encontra-mo-la noutros países e culturas, pode ser considerada uma das formas mais características das artes portuguesas. Pequenas bolas de metal e fios muito finos soldados e achatados provocando o efeito trança, de forma a obter desenhos como estes.
Cruz de Malta


Metais como o ouro e a prata são os mais trabalhados nesta arte, e estão presentes na história da humanidade nunca caindo em desuso, desde a Antiguidade até aos dias de hoje.  Recriação contemporânea de Joana Vasconcelos  


No norte do pais a tradição da filigrana continua presente nos adornos das mulheres minhotas, desde os trajes de noivas, aos trajes dos ranchos folclóricos e até no café de domingo à tarde.
Brincos Rainha

Vamos até ao 3º milénio a.c. no Médio Oriente onde a filigrana foi difundi…

Lenços

~ Foto: Nuno Reis


Os lenços de Viana como são conhecidos fazem parte do imaginário português. São coloridos na sua base onde assentam cercadura de flores grandes e coloridas destacando as quatro cores principais: vermelho, amarelo, branco e azul.



Postal antigo: Lavadeiras Viana de Castelo
“A veste organiza-se em: saia franzida, colete justo apertado com fitilho e camisa branca, sobre a qual se apõe o avental, a algibeira e o lenço. Na cabeça, colocava-se um lenço idêntico ao do peito. Nos pés, calçavam chinelas também bordadas, à maneira barroca, e meias arrendadas.” (Teixeira: Madalena Braz, O traje regional, Português eo Folclore VII )


Estão presentes ao longo da história da humanidade em vários momentos históricos: • Segundo a lenda a primeira mulher que usou um lenço foi a rainha egípcia Nefertiti no ano de 1350 a.c.; • Em 230 a.c. na China no reinado do Imperador Cheng os lenços tinham uma utilização funcional que servia para identificarem os funcionários ou guerreiros chineses; • Na R…