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Olaria São Pedro do Corval


Desde sempre os utensílios de barro estão presentes no nosso quotidiano. Os primeiros utensílios de barro seriam simples, modelados e secos ao sol. A olaria cumpria as necessidades básicas da população que servia. Com o fogo na sua vida o Homem descobriu as virtudes da cozedura das peças transformando assim o barro dúctil em matéria consistente e resistente. A arte da cerâmica foi evoluindo e modificando-se estética e tecnicamente. O oleiro aprendeu a escolher o melhor barro para a produção das peças e adaptar as técnicas a usar ao tipo de barro que encontrava no sítio onde se fixava.

As peças de barro na sua origem surgiram para ser úteis e funcionais, servir os seus criadores. A essa dualidades de uso e função juntou-se a beleza e a estética conseguindo assim a harmonia que se pode ver e sentir numa simples tigela de barro ou num prato. 

Fotos: Olaria O Patalim 


Num contexto essencialmente rural o barro tinha um papel central e era frequentemente utilizado: como tijolo na construção das casas, no fabrico das telhas, em utensílios de cozinha e também eram de barro as as imagens e utensílios com que se prestava homenagem a Deus. 

Foto: Exposição de peças tradicionais 


Uma peça de barro tem sempre a envolvente de quem a fez e de quem a utilizou... Uma relação quase poética que passa pela magia da criação desde uma fase de gestação da matéria prima, o barro, que obedece ao toque das mãos, que se pode modelar, e que numa fase final pela cação do fogo se transforma numa matéria consistente e ao mesmo tempo frágil.



Uma peça de barro também é uma apelo sensorial: tocar-lhe, sentir o relevo, a sua ondulação, as suas formas, o seu peso, a rugosidade ou a maciez da sua superfície.
A olaria é um património inegável de uma comunidades não de um homem.”Museu da Olaria 

Fotos: Olaria O Patalim 


Em pleno alto Alentejo, outrora aldeia de Matos passou em 1948 a chamar-se São Pedro do Corval é sede de freguesia do concelho de Reguengos de Monsaraz, pertencendo ao distrito de Évora. É considerada a capital Ibérica do Barro e lá encontramos 22 Olarias em funcionamento e uma mão cheia de artesãos onde podemos assistir ao vivo a esta arte ancestral, uma verdadeira escola de olaria. 














Fotos: Olaria O Patalim 


A olaria data a sua presença nesta localidade desde o período Árabe, conforme atesta o teor do Foral Afonsino outorgado a Monsaraz em 1276. As peças desta arte tornam com as suas características únicas aliadas a umas cores garridas retratam a vida rural alentejana e estão incorporadas no modus vivendi da população local. 



Foto: Olaria O Patalim 



Em 2008 o Município de Reguengos de Monsaraz registou no Instituto Nacional de Propriedade Industrial as marcas nacionais “Olaria de São Pedro do Corval”. “Rota da Olaria”, “Rota dos Oleiros” e “Olaria”.

"(...) Em relação aos utensílios de cerâmica, largamente difundidos em todo o país, a originalidade do Alentejo consiste em ter conservado, de uma herança mediterrânea, o vasilhame para líquidos, principalmente para vinho, preparado e guardado no resto do país , em pipas e tonéis de madeira. Neste sentido, é mais uma das expressões da civilização do barro própria desta região." Orlando Ribeiro


Fotos: Olaria O Patalim 


Olaria O Patalim Estrada de Monsaraz, 12
São Pedro do Corval
7200-131 Corval
Alentejo- Portugal
Telef/Fax 266549117
Telem: 969794402
E-mail: geral@olariapatalim.com
www.olariapatalim.com  
Horário: todos os dias
08:00 - 12:30
14:00 - 18:00

Livro: "Olaria portuguesa: do fazer ao usar"
Editor: Assírio & Alvim
Data: 2003
Autores: Raquel Henriques da Silva, Isabel Maria Fernandes, Rodrigo Banha da Silva
Design gráfico: Vera Velez
Fotografias: José Carlos Garcia
Tradutor: Anthony de Seife Kinnon
Páginas: 221
Valor: 50 euros


Museu da Olaria


Criado em 1963 em Barcelos numa zona de fortes tradições cerâmicas como resultado de uma doação de uma valiosa coleção recolhida pelo etnógrafo barcelense Joaquim Salles Paes de Villas Boas. Com uma área de 2000 metros quadrados, possui um espólio de 7000 objetos, representativos da forte tradição oleira nacional e lusófona.

Contacto:
Rua Cónego Joaquim Gaiolas
4750-306 Barcelos
Telefones: 253 824 741 | 253 809 642
 Fax: 253 809 661
www.museuolaria.org
Preço: 2, 2€




























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